ESPECIARIAS versus PERDA DE PESO

As especiarias têm um grande historial de uso, com um papel importante na herança cultural, apreciação gastronómica e proteção da saúde.




A presença excessiva de radicais livres no organismo conduz a um estado de stress oxidativo que aumenta o risco de várias doenças cardiovasculares, inflamatórias, cancro e outras doenças crónicas.
Os antioxidantes são compostos que condicionam o processo oxidativo, diminuindo ou inibindo o stress daí resultante. As ervas e especiarias incluem-se neste grupo e são uma fonte rica e segura de antioxidantes naturais, contendo uma quantidade variada de compostos fenólicos que, para além destas propriedades, possuem ainda atividade anti-inflamatória, antimutagénica e antitumoral, entre muitas outras.

Uma vez que o excesso de peso propicia um ambiente pró-oxidante, o uso de especiarias no dia a dia ajuda a diminuir esta tendência e, por conseguinte, a melhorar o estado de saúde em geral.
Além de todas estas propriedades, as especiarias podem ainda ser incluídas em várias preparações substituindo, total ou parcialmente, outros ingredientes menos desejáveis como sal, açúcar e gordura, em confeções como marinadas, temperos e sopas por exemplo, melhorando assim o perfil nutricional da receita.
As principais especiarias com evidência científica na ajuda da perda de peso são:
Canela
É uma das especiarias mais antigas e tem sido usada em várias culturas durante séculos. Para além do seu uso culinário, estudos científicos têm demonstrado vários benefícios para a saúde destacando-se a sua atividade antidiabética derivada do efeito hipoglicémico, e o efeito protetor do peso uma vez que leva a uma maior mobilização de gorduras no organismo. Ainda se distinguem o efeito antioxidante, antimicrobiano, antifúngico, antivírico, antitumoral, hipotensor, hipocolesterolémico e hipolipídico e, ainda propriedades protetoras gástricas.
Gengibre
O gengibre é uma das especiarias mais usadas em todo o mundo, especialmente nos países asiáticos. A planta do gengibre tem uma longa história de cultivação originária da China que depois se espalhou para a Índia. Tem sido usada na medicina tradicional como cura para algumas patologias incluindo a doença inflamatória. O seu composto bioativo – gingerol - tem demonstrado exercer várias atividades farmacológicas como antiemética, antiulcerosa, anti-inflamatória, antioxidante, antiplaquetária, hipoglicemiante e hipolipídica, anticancerígena e de proteção cardiovascular. Para além destes, ajuda ainda na redução do peso e no aumento do bom colesterol: o HDL. Esta raiz é tipicamente consumida fresca ou desidratada, adicionada a preparados culinários, na preparação de legumes ou pratos de carne ou utilizada como agente aromatizante em bebidas e outras preparações culinárias. A forma desidratada tem a vantagem de proteger as propriedades químicas e físicas dos compostos ativos do gengibre.
Pimenta e chili
Os capsinóides presentes na pimenta e chili têm um efeito fisiológico e farmacológico analgésico, anticancerígeno, anti-inflamatório, antioxidante, e ainda um efeito benéfico a nível cardiovascular e gastrointestinal. Estudos demonstram que têm efeito antiobesogénico uma vez que provocam um aumento no metabolismo (maior gasto calórico), diminuem o apetite e consequentemente a ingestão energética, e ainda aumentam a oxidação de gorduras no organismo. Observou-se que um consumo de capsinóides diário pode aumentar o dispêndio energético até 50kcal/dia.
Açafrão
O açafrão contém curcumina que tem sido reconhecida pelas suas propriedades promotoras da saúde entre elas as propriedades anti-inflamatórias e antiobesogénicas – promove a perda de peso, minimiza os efeitos secundários da obesidade e diminui a incidência de patologias relacionadas com a obesidade através de vários mecanismos fisiológicos. Tem ainda um potencial protetor de várias doenças malignasdiabetes, alergias, artrite, Alzheimer e outras doenças crónicas.
Por Alzira Silva (Nutricionista Holmes Place Boavista)

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