ÉBOLA: o que é, como se transmite e como prevenir





Com o primeiro caso confirmado em Espanha, a Direção-Geral da Saúde está reanalisar as normas de segurança biológica com os hospitais, o INEM - Instituto Nacional de Emergência Médica -, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e os serviços de saúde das Forças Armadas.

O surto de ébola na África Ocidental levou a Organização Mundial de Saúde a decretar o estado de emergência de saúde pública internacional. No nosso país, o risco de contágio é baixo e estão assegurados os mecanismos de resposta. Devido ao caso detetado em Espanha, a Direção-Geral de Saúde está a rever as normas de segurança biológica.

A atual epidemia de ébola começou na Guiné-Conacri em dezembro de 2013 e alastrou-se à Libéria, à Serra Leoa e à Nigéria. Até agora, foram registados 8033 casos e 3879 pessoas morreram. É o surto mais devastador desde o aparecimento do vírus, em 1976. A gravidade está relacionada com as características do vírus e com as condições socioeconómicas e sanitárias dos países afetados.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou tratar-se de uma situação de "extraordinária" e "um risco" para outros países. Por isso, declarou o estado de emergência de saúde pública internacional. O agravamento da propagação poderá ter sérias implicações. Para conter o risco, a OMS apelou a uma ação coordenada a nível global e apresentou várias recomendações, que foram reforçadas em Portugal pela Direção-Geral de Saúde (DGS). Não estão interditas as viagens para as áreas atingidas e o comércio é permitido. Mas os cidadãos são aconselhados a fazê-lo apenas em situações essenciais. Devem procurar aconselhamento médico em caso de exposição ao vírus ou se desenvolverem os sintomas da doença.

A DGS afirma que, até agora, não há registo de casos em Portugal e o perigo de contágio é baixo na ausência de contacto direto com fluidos corporais. De qualquer forma, estão garantidos os mecanismos para detetar, investigar, confirmar laboratorialmente e gerir os casos suspeitos. As respostas estão articuladas com outros parceiros, como as autoridades aeroportuárias e portuárias. A Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) está preparada para responder às dúvidas, aconselhar e encaminhar as situações específicas. Foi criado um dispositivo de coordenação que se mantém alerta e que mobilizará os recursos adequados, se necessário. A DGS vai atualizar regularmente os profissionais da área e os cidadãos sobre o risco de infeção e as respostas apropriadas.


Guiné-Conacri, Serra Leoa, Libéria e Nigéria são os países atingidos. As condições socioeconómicas e sanitárias agravam a transmissão do vírus.


Transmissão e sintomas 

A infeção com o vírus do ébola resulta do contacto direto com fluidos corporais dos doentes (saliva, transpiração, sangue, urina, fezes, vómito e sémen). Tocar em materiais usados para tratá-los (como luvas de látex ou agulhas) ou nas suas roupas também implica risco de contágio. Se uma pessoa estiver infetada mas não desenvolver os sintomas, não representa perigo de transmissão. Está também excluída a propagação pelo ar, pela comida ou pela água

A doença tem um período de incubação que varia entre 2 e 21 dias. A transmissão por via sexual pode ocorrer até 7 semanas após a recuperação clínica. 

O vírus provoca uma febre hemorrágica, com sintomas que incluem febre elevada de início súbito, mal-estar geral, dores (cabeça, garganta, peito, abdominais, musculares), manchas na pele, náuseas, vómitos, diarreia e hemorragias (não relacionadas com traumatismos). 

Doença sem cura 

Ainda não há solução para o vírus do ébola. Após os primeiros sintomas (dores, fraqueza e febre alta), segue-se uma fase de diarreia, vómitos, erupção cutânea e insuficiência dos rins e do fígado. Nalguns casos, podem desenvolver-se hemorragias internas e externas. Mas a maioria dos pacientes morre devido ao choque provocado pela pressão arterial baixa. Em situações de surto, a taxa de mortalidade de pessoas infetadas chega aos 90%. Os tratamentos possíveis são de suporte e passam pela hidratação do doente, pela manutenção dos níveis de oxigénio, pelo controlo da pressão arterial e por tratar as complicações da infeção.

Existem medicamentos experimentais, que ainda não foram sujeitos aos ensaios clínicos protocolares, pelo que a sua utilização levanta reticências. Mas a gravidade do atual surto levou a OMS a considerar ético o recurso a esses tratamentos.

Recomendações para viajantes 

Já foram acionadas algumas medidas de controlo na África Ocidental, nomeadamente isolamento, monitorização ativa dos casos e vigilância reforçada nas fronteiras. Se tem mesmo de viajar para um dos países afetados, siga os conselhos da DGS.

Cumpra as regras de higiene básicas indicadas pelas autoridades de saúde locais. A principal é lavar as mãos com frequência, pois o vírus é facilmente eliminado pela ação do sabão, da lixívia, da secagem ou da luz solar (sobrevive pouco tempo em superfícies expostas ao sol).

Evite estar próximo de pessoas com suspeita ou confirmação da doença. A regra também se aplica aos cadáveres, antes e durante as cerimónias fúnebres.

Não mexa em nenhum material ou objeto usado no tratamento dos doentes.

Não contacte com animais selvagens, vivos ou mortos (macacos, morcegos, antílopes, entre outros), nem consuma a sua carne.

Cozinhe muito bem os alimentos de origem animal (carne e leite) antes de os consumir. A refrigeração e a congelação não inativam o vírus.

Procure imediatamente um médico se tiver algum dos sintomas da doença.

Durante a viagem (aérea ou marítima), informe a tripulação se sentir algum sintoma.

Vigie o seu estado de saúde nos 21 dias após a entrada em Portugal. Informe a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) se apresentar algum indício da doença ou em caso de contacto direto com algum doente sem proteção adequada. Relate a viagem recente e descreva a sintomatologia.

Fonte: Texto e imagens extraídos D´Aqui



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