Fazer EXERCÍCIO é o melhor REMÉDIO

Já imaginou se um só medicamento pudesse prevenir e ajudar a tratar doenças cardiovasculares, diabetes, osteoporose e alguns tipos de cancro? Não procure mais! Este “medicamento” já existe e não tem efeitos acessórios adversos!

Desde os tempos da Antiguidade Clássica que Hipócrates, o “pai” da Medicina, defendia os benefícios do exercício no corpo humano. O exercício tinha o poder de “(...) expelir os males causados pelos maus regimes (...)” e, por sua vez, a inatividade parecia estar ligada a um envelhecimento mais precoce do corpo. No entanto, foi preciso esperar mais de dois mil anos para que surgissem dados irrefutáveis sobre estes factos. Em meados do século XX, investigadores relataram, pela primeira vez, que nos indivíduos com profissões mais ativas e mais exigentes em termos físicos a mortalidade e a incidência de doenças cardiovasculares eram menores. Estudos epidemiológicos calcularam que homens mais ativos (dispêndio energético em atividade física superior a 2000 kcal por semana*) podem viver em média mais 2 anos que os seus pares mais sedentários!

A redução da mortalidade prende-se com o facto da Atividade Física ter uma influência benéfica naqueles que são os principais fatores de risco para a saúde: hipertensão arterial, dislipidémia (níveis de gordura no sangue alterados), diabetes e excesso de peso. Estes benefícios parecem ser transversais a todos os indivíduos, independentemente do género, idade, raça ou composição corporal.


* Por exemplo, uma pessoa com 75kg gasta cerca de 500 kcal combinando 60 minutos de marcha rápida com 60 minutos de actividades domésticas.

Doenças Cardiovasculares
As doenças cardiovasculares, como a doença das artérias coronárias, o acidente vascular cerebral e a hipertensão arterial, são as principais causas de morte nos países industrializados. O exercício regular melhora o perfil individual dos factores de risco destas doenças, atenua o processo da aterosclerose e optimiza a circulação em órgãos como o coração e o cérebro. Uma pessoa activa pode reduzir para cerca de metade o seu risco de vir a ter doença das artérias coronárias e em um quarto o risco de ter um acidente vascular cerebral.

Uma das adaptações à prática crónica de Actividade Física é a dilatação dos vasos sanguíneos, o que reduz a pressão que a passagem do sangue exerce nas artérias. Este mecanismo pode contribuir para uma diminuição da pressão arterial sistólica e diastólica em média 6mmHg, o que ajuda a prevenir o aparecimento da hipertensão e de doenças associadas ao longo da vida. Em doentes já com doença cardiovascular conhecida, o exercício tem também um papel auxiliar importante noutras medidas terapêuticas mais clássicas.
Obesidade


A Atividade Física tem um papel determinante e único na prevenção e tratamento da obesidade. Um estilo de vida mais sedentário é apontado como um dos principais factores que determinaram o aumento da prevalência de excesso de peso no mundo.
Para além de contribuir para um maior dispêndio de calorias – condição fundamental para a redução da gordura corporal – o exercício consegue mobilizar preferencialmente a adiposidade abdominal, que é aquela que parece estar mais associada a piores indicadores de saúde. A diminuição deste tipo de gordura tem repercussões muito positivas ao nível do perfil lipídico no sangue, reduzindo o colesterol-LDL e aumentando o colesterol-HDL (mais benéfico à saúde).

Nos tratamentos de obesidade, acompanhados de uma restrição alimentar, o exercício (em particular o treino de força) ajuda a preservar o tecido muscular. Este aspecto é de extrema importância, porque o músculo, para além de proporcionar um maior conforto e agilidade na realização das tarefas do dia-a-dia, é um tecido muito activo na metabolização da gordura e glicose.
Diabetes Mellitus tipo 2
A diabetes mellitus tipo 2 é uma doença endócrina, que resulta da insuficiência da acção da insulina. Esta hormona é responsável por transportar a glicose (“açúcar”) para dentro das células, a partir da circulação sanguínea. Quando não existe insulina ou existe uma resistência à sua acção, há uma acumulação de glicose que é nociva para vários órgãos como o coração, cérebro, vasos, rins e retina.


O músculo é um dos principais responsáveis pela remoção da glicose em circulação, quer para ser utilizada como recurso energético, quer para ser armazenada sob a forma de glicogénio. O exercício parece estimular estas funções do músculo e otimizar a ação da insulina, o que leva a uma melhor regulação da glicose sanguínea. Alguns destes efeitos parecem também ser mediados pelo facto do exercício poder induzir uma perda de peso e massa gorda. Indivíduos ativos têm um risco significativamente inferior de virem a desenvolver esta doença.



Em pessoas com diabetes mellitus tipo 2, o exercício potencia os efeitos da dieta e dos medicamentos e reduz o risco de complicações da doença, como o acidente vascular cerebral ou a doença das artérias coronárias.

Cancro

Desde há vários anos que a Atividade Física regular é reconhecida como um fator protetor do cancro da mama e do cólon. O exercício parece contribuir para uma modulação de hormonas envolvidas na divisão e crescimento anormal das células e na melhoria, a longo prazo, da função imunitária. Existe uma relação conhecida entre o excesso de peso e alguns tipos de cancro (mama, endométrio e cólon).


Como o exercício ajuda a manter um peso mais saudável, pode indirectamente diminuir o risco deste tipo de tumores. No cancro da mama, o risco pode ser reduzido em cerca de 20%. As mulheres pós-menopaúsicas parecem ser as que mais beneficiam, com reduções até 30%.



Os indivíduos activos têm uma menor incidência de cancro do cólon, com reduções do risco de 30% a 40%. Ao melhorar o trânsito intestinal e diminuir o tempo de exposição de substâncias carcinogéneas (capazes de induzir cancro) na parede do intestino, há uma menor hipótese de transformação de células normais em células tumorais.

Existem alguns dados que parecem apontar para uma relação inversa entre a Atividade Física regular e o cancro do pulmão e endométrio, mas ainda são insuficientes para tirar conclusões definitivas.

Osteoporose
A inatividade física é um dos fatores de risco conhecidos para a osteoporose, uma doença que se carateriza por uma maior fragilidade do osso. Os mais frágeis estão mais suscetíveis a fratura, mesmo com pequenos traumatismos.

O exercício dá ao osso um estímulo para se manter são e fortalece também os músculos. Em idades mais avançadas, pode mesmo atenuar o processo normal de envelhecimento, em que há perda de massa óssea. Com o aumento da força muscular e da agilidade, a probabilidade de quedas que podem originar fracturas também fica diminuída.

Os exercícios mais benéficos parecem ser os exercícios em carga, em que o esqueleto suporta a totalidade do seu peso (marcha, corrida, step).

Recomendações

As recomendações atuais indicam que um adulto (entre 18 e 65 anos) que queira promover a sua saúde deve fazer 30 minutos de exercício aeróbio de intensidade moderada cinco vezes por semana ou, em alternativa, 20 minutos de exercício vigoroso, três vezes por semana. Pode também combinar estes dois tipos de atividade física. Estes minutos podem ser acumulados em períodos de dez ou mais minutos de cada vez, no caso de haver constrangimentos individuais para uma prática contínua. Adicionalmente, devem ser incluídas no dia a dia atividades de caráter menos formal, como subir escadas, caminhar nos pequenos percursos diários e realizar manualmente muitas das tarefas domésticas.

Apesar do exercício aeróbio ser o tipo de exercício que reconhecidamente tem um maior impacto na saúde, o treino de força e o treino de flexibilidade não devem ser esquecidos. Por um lado, a preservação da massa muscular que o treino de força favorece permite uma melhoria da saúde óssea e uma maior utilização da glicose e das gorduras como fonte de energia (fator importante na prevenção da diabetes e do excesso de peso) e, por outro, os exercícios de flexibilidade permitem a manutenção de uma correta postura corporal e prevenção de lesões e lombalgias, entre outros benefícios.

Recomenda-se que sejam feitos exercícios de força 2 a 3 vezes por semana e exercícios de flexibilidade 3 a 5 vezes por semana.


Conclusões

A Atividade Física tem um papel muito importante na prevenção de doenças crónicas, as principais causas de mortalidade e mobilidade em Portugal. Nos casos de doença estabelecida, pode melhorar o controlo da doença, reduzir a toma de fármacos, diminuir o risco de complicações e até mesmo regredir a doença nas suas formas mais iniciais.


Estima-se que por cada euro investido na promoção de exercício se poupem mais de três euros em cuidados de saúde e cerca de cinco euros em absentismo ao trabalho. A Atividade Física é seguramente o instrumento de saúde pública mais económico!
Depois de todos estes benefícios, ainda tem dúvidas?!? Invista na sua saúde, em movimento!






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